Documentários de mato-grosso destacam mulheres indígenas no rio

Mostra carioca exibe produções sobre preservação ancestral, lutas por território e impactos da ditadura militar no estado.

Redação Por Redação
Do interior de MT para as telas do Rio: filmes de mulheres indígenas ganham destaque em mostra nacional

Resumo

Mostra carioca exibe produções sobre preservação ancestral, lutas por território e impactos da ditadura militar no estado.

Quatro produções cinematográficas realizadas em Mato Grosso foram selecionadas para a sexta edição da Mostra do Filme Marginal, evento sediado no Rio de Janeiro que ocorre de 15 a 24 de outubro. O destaque principal vai para a forte presença feminina na direção, com três obras lideradas por mulheres, incluindo cineastas indígenas que utilizam a sétima arte para ecoar narrativas de resistência cultural e salvaguarda de seus domínios tradicionais.

A força do protagonismo feminino indígena nas telas

Entre os títulos selecionados está o curta “Thutalinãnsu”, originário de Sapezal e sob a batuta de Helena Corezoma, cineasta ligada à Rede Katahirine. Com uma duração de 20 minutos, a obra retrata a atuação de mulheres dos povos Terena, Paresi, Manoki e Nambikwara na proteção da Terra Indígena Tirecatinga, situada na área de transição entre o Cerrado e a Amazônia.

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Outro título de relevo é “Mopái Pjuta Ãkakje’y – A Roça e os Alimentos Myky”, com 18 minutos de duração, filmado na Aldeia Japuíra. A direção coletiva é assinada por Kamtinuwy Myky, Kojayru Myky, Mãnynu Myky, Njãkyru Myky, Njãwayru Myky, Takarauku Myky e Tipuu Myky. O projeto audiovisual detalha as tradições agrícolas repassadas por mulheres agricultoras, essenciais para a autonomia alimentar da etnia.

Retomada de terras e os reflexos históricos

A programação mato-grossense também abrange a discussão sobre a reconquista de territórios no documentário “Capim”, rodado entre Bom Jesus do Araguaia e Cuiabá por Julia Munhoz e Caio Pimenta. O filme de 17 minutos aborda o retorno dos Xavante de Marãiwatsédé à sua área de origem na década de 1960 após expulsão, deparando-se com uma paisagem totalmente convertida em pastagens e tendo de ponderar a preservação cultural com a subsistência econômica.

Complementando a delegação estadual, o documentário “60 Anos Depois”, do cineasta cuiabano Flávio Ferreira, resgata a memória política por meio de depoimentos de sobreviventes da ditadura militar em Mato Grosso, fruto de dois anos de apuração com o suporte de historiadores locais.

Panorama da programação nacional e internacional

O festival carioca contempla 123 títulos nacionais e internacionais exibidos sem custo em diversos pontos da capital fluminense, tendo como temática central a vertente de “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”. A curadoria debate ainda tópicos como racismo ambiental, direitos originários e diversidade, com a exibição estendida até o dia 24 de outubro acompanhada de debates com os realizadores.

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