Um trabalho conjunto de forças de segurança e órgãos ambientais culminou na emissão de R$ 86,8 milhões em autuações após a varredura de 10.397,08 hectares no noroeste de Mato Grosso. Batizada de Operação Abafa Amazônia II, a força-tarefa encerrou no sábado (17) treze dias contínuos de diligências voltadas a reprimir o desmate ilegal, incêndios florestais e invasões de terras públicas.
Foco em áreas críticas e ocupações irregulares
Com concentração de esforços no Distrito de Guariba, a ofensiva mobilizou equipes por terra e pelo ar para alcançar pontos críticos previamente mapeados por geomonitoramento. As rotas foram traçadas a partir de registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que indicavam forte concentração de focos de calor na divisa florestal, cenário que coloca o município de Colniza sob vigilância prioritária do Estado.
Durante as vistorias, os agentes encontraram acampamentos clandestinos recém-montados em áreas sob embargo judicial. Em uma das propriedades fiscalizadas em Colniza, foram achados utensílios domésticos em uso imediato, como fogão e panelas aquecidas, além de um telefone celular e uma garrucha de calibre .22 com dois canos e dez munições escondidas sob a cama. Já na área rural de Aripuanã, os policiais apreenderam outras duas espingardas, de calibres .20 e .32.
Estratégia integrada e suporte aéreo
De acordo com o comandante do Batalhão de Emergências Ambientais, tenente-coronel Heitor Alves de Souza, as ações foram direcionadas para áreas consideradas prioritárias em razão dos indícios de degradação ambiental. Para vencer a barreira das matas densas e estradas precárias, o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) prestou apoio logístico constante, viabilizando o transporte rápido do efetivo e o monitoramento em locais inacessíveis por via terrestre.
A força-tarefa foi liderada pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) e contou com a participação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Polícia Militar de Proteção Ambiental, Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) e a Força Nacional de Segurança Pública.
Tramitação das autuações e restrições climáticas
O montante de R$ 86,8 milhões diz respeito aos autos de infração lavrados pelas equipes técnicas em campo. O valor ainda não foi arrecadado aos cofres públicos, pois os autuados têm direito aos prazos legais para apresentar defesa e recursos administrativos antes de qualquer cobrança definitiva.
As ações ocorreram em meio ao período proibitivo de queimadas em áreas rurais, que vigora de 1º de julho a 30 de novembro em Mato Grosso devido à severa estiagem e ao risco iminente de fogo descontrolado. O poder público reforça que denúncias sobre focos ilegais ou desmatamento podem ser feitas pelos números 193 (Corpo de Bombeiros) e 190 (Polícia Militar).
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