Secretaria de apostas é integrada à Casa Civil após fim das bets

Órgão do Ministério da Fazenda passa a atuar em comitê interinstitucional focado no bloqueio de plataformas ilegais.

Redação Por Redação
Com fim das Bets, secretaria de apostas será coordenada pela Casa Civil

Resumo

Órgão do Ministério da Fazenda passa a atuar em comitê interinstitucional focado no bloqueio de plataformas ilegais.

Com a recente proibição das casas de apostas online no Brasil, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, passou a integrar o Comitê Interinstitucional de Fiscalização. A estrutura agora opera sob a coordenação direta da Casa Civil.

Atuação do comitê interinstitucional

O grupo de trabalho reúne diferentes órgãos estratégicos, incluindo a Secretaria de Comunicação, a Advocacia-Geral da União, os Ministérios da Justiça e da Segurança Pública, e do Esporte. Também compõem a força-tarefa o Banco Central, o Coaf, a Polícia Federal, a Anatel e a ANPD.

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“Cabe ao Comitê manter um cadastro unificado de domínios, aplicativos e contas bancárias ou de pagamento, definir os protocolos para bloqueio de sites e aplicativos, interrupção de fluxos financeiros e remoção de publicidade e patrocínio, padronizar as notificações a provedores, bancos, instituições de pagamento e plataformas de publicidade, e encaminhar às autoridades as notícias de infração administrativa, tributária ou penal”, informou a Fazenda.

Força-tarefa e histórico de regulação

Criada em 2024, a secretaria conta com 100 profissionais dedicados a implementar as diretrizes da Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O mercado de apostas havia sido autorizado originalmente em 2018, durante a gestão do ex-presidente Michel Temer, mas a regulamentação efetiva só decolou em dezembro de 2023.

Até a proibição, o setor operava sem travas adequadas, permitindo o acesso de menores de idade e beneficiários de programas sociais. A SPA tentou conter o problema impondo restrições rígidas, como a verificação de identidade, o bloqueio para beneficiários do Bolsa Família e do BPC, a proibição do uso de cartões de crédito e regras estritas para a publicidade.

Impactos na saúde e mercado ilegal

Dados do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) indicam que os prejuízos associados ao vício em jogos podem alcançar R$ 30,6 bilhões anualmente, somando custos com tratamentos, perda de qualidade de vida e casos graves de depressão e suicídio.

Por outro lado, entidades internacionais alertam para os riscos do fechamento formal do mercado. Um documento da International Betting Integrity Association (IBIA) aponta que, embora o Brasil tenha desenvolvido normas avançadas de proteção ao consumidor e combate à lavagem de dinheiro, a extinção do setor regulado pode apenas fortalecer as plataformas clandestinas.

“Esse regime incorporou exigências de proteção ao consumidor e de prevenção à lavagem de dinheiro, disposições de integridade entre as mais modernas do mundo e o combate aos operadores ilegais […] Embora tenham sido feitos avanços regulatórios importantes, a instabilidade fiscal e política dificultou a eliminação do mercado ilegal offshore: o imposto sobre o GGR subiu em menos de um ano, um projeto de revogação foi apresentado em julho de 2026 e a proibição acabou por encerrar o mercado”, afirma o documento.

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