O vereador por Cuiabá Ilde Taques (Podemos) negou qualquer envolvimento em supostas irregularidades relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande, após ser alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na manhã desta terça-feira (20 de outubro).
Detalhes da Operação Cathedra Venalis
A manifestação ocorre após a deflagração da Operação Cathedra Venalis, que investiga suspeitas de corrupção, negociação de vantagens indevidas e possíveis irregularidades envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. A operação mobilizou mais de 200 policiais para o cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Entre os alvos estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois parlamentares da Capital, identificados como Ilde Taques e Alex Rodrigues.
Posicionamento da defesa
Em nota divulgada por seu advogado, Eduardo Mahon, o parlamentar afirmou que recebeu a operação com tranquilidade, colaborou com os agentes responsáveis pelas diligências e sustentou que “buscas não encontraram irregularidades”, sendo incapazes de relacioná-lo a atividades ilegais. Na manifestação encaminhada à imprensa, Ilde ressaltou que ainda não teve acesso ao processo investigatório, que tramita sob sigilo judicial, motivo pelo qual não poderia prestar esclarecimentos detalhados sobre o conteúdo das apurações. O vereador negou qualquer participação em articulações políticas, especialmente ilegais, relacionadas à escolha da Mesa Diretora do Legislativo várzea-grandense.
A defesa destacou que o parlamentar permanece à disposição das autoridades judiciais para prestar todos os esclarecimentos necessários e colaborar com o andamento das investigações. Por meio de seu advogado, Ilde Taques reafirmou seu compromisso com a transparência e declarou que seguirá exercendo normalmente suas atividades parlamentares enquanto as investigações prosseguem.
Contexto político e investigações
Ilde Taques foi eleito presidente da Câmara de Cuiabá no dia 6 de outubro, com 27 votos, e deverá assumir o comando do Legislativo municipal em janeiro de 2027, para um mandato de dois anos. A investigação do Gaeco tem como foco suspeitas de atuação de um grupo organizado para obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos e possíveis práticas de corrupção relacionadas à disputa pelo comando da Câmara de Várzea Grande.
O processo eleitoral interno do Legislativo várzea-grandense já havia provocado disputas políticas e questionamentos judiciais. Em maio de 2026, Wanderley Cerqueira (MDB) venceu a eleição para a presidência da Câmara por 12 votos a 11, contra Lucas do Chapéu do Sol (PL). Posteriormente, a votação foi anulada após questionamento judicial sobre a antecipação da escolha da Mesa Diretora.
A afirmação de que as buscas não encontraram elementos relacionados a irregularidades foi apresentada pela defesa do vereador e não representa uma conclusão oficial do Gaeco sobre sua participação nos fatos investigados. O cumprimento de mandado de busca e apreensão não significa comprovação de crime. As investigações continuam sob responsabilidade das autoridades competentes, respeitando o devido processo legal e a presunção de inocência.
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