O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira, classificou como atípica a Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado. O parlamentar confirmou que equipes policiais estiveram em seu escritório corporativo, mas garantiu que nenhum item foi recolhido durante a diligência.
Detalhes da Operação Cathedra Venalis
A força-tarefa, vinculada ao Ministério Público de Mato Grosso, mobilizou as forças estaduais de segurança para o cumprimento de 30 mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais abrangeram alvos em Cuiabá, Chapada dos Guimarães e Várzea Grande, atingindo 13 vereadores várzea-grandenses e dois parlamentares da capital. O foco das apurações recai sobre supostas práticas ilícitas como corrupção, compra de votos e direcionamento na escolha da Mesa Diretora do legislativo municipal.
Cobranças e críticas políticas
Durante conversas com jornalistas, o chefe do legislativo local questionou a atuação dos órgãos fiscalizadores e cobrou celeridade na apuração de dezenas de acusações que, segundo ele, já teriam sido protocoladas contra a gestão da prefeita Flávia Moretti.
“Não teve operação na minha casa, tá? Eu desconheço a operação e acho muito estranho. Com mais de 30 denúncias já da prefeita e a busca na Câmara não veio. Então eu acho muito estranho, muito estranho”, declarou.
O vereador mencionou informalmente a existência de mais de 50 queixas contra a prefeitura, embora não tenha apresentado documentação comprobatória ou detalhado o andamento dessas supostas denúncias nos órgãos competentes.
Controvérsia eleitoral e próximos passos
A investigação ocorre em um cenário de intensa disputa política pelo comando da câmara. Em maio, Wanderley havia vencido a eleição interna por 12 votos a 11 contra Lucas do Chapéu do Sol, mas o pleito acabou derrubado pelo Supremo Tribunal Federal devido à antecipação da votação. Ainda não há data marcada para um novo pleito interno.
Sobre a investigação em curso, o parlamentar pontuou que a medida cautelar não significa culpa formada.
“Veja bem, a busca é normal, a polícia faz a busca. A busca é feita onde há determinação judicial. Agora, a partir daí dizer que há alguma irregularidade, isso a Justiça vai dizer depois”, declarou.
Por fim, o chefe do legislativo municipal garantiu total cooperação com a justiça e informou que uma manifestação oficial da casa de leis será emitida assim que o conteúdo integral das acusações for analisado pela assessoria jurídica.
“Vai ser apurado primeiramente todos os fatos e a gente faz uma nota pela Câmara. Por enquanto, a Câmara não tem conhecimento dos fatos, sobre qual é a acusação, sobre se existe alguma irregularidade”, concluiu.
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