As exportações de carne bovina de Mato Grosso totalizaram 69,60 mil toneladas equivalente carcaça (TEC) em setembro de 2026, marcando um tombo de 29,69% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Retração do mercado chinês
O recuo expressivo foi motivado principalmente pela forte diminuição das aquisições por parte da China, decorrente do esgotamento da cota de exportação destinada ao país asiático, conforme apontam as informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgadas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na variação mensal, o volume embarcado também encolheu 3,74% em relação a agosto.
A reviravolta no fluxo comercial é evidente na participação chinesa. Em setembro de 2025, a nação asiática respondia por 61,08% dos envios do estado, fatia que despencou para apenas 6,65% doze meses depois.
Estados Unidos lideram novos destinos
Devido a essa baixa nas transações com os asiáticos, os Estados Unidos assumiram o topo do ranking de importadores da carne bovina mato-grossense, absorvendo 11,84 mil TEC em setembro — um crescimento de 10,53% frente a agosto, impulsionado pela ampliação temporária da cota com tarifas reduzidas.
O Chile ocupou a segunda posição ao importar 9,37 mil TEC, alta de 5,44% em relação ao mês anterior. Contudo, o Imea ressalta que o avanço dessas praças não foi suficiente para anular o impacto negativo gerado pela saída da China.
Excluindo o mercado chinês, as vendas externas mato-grossenses registraram alta de 1,10% em setembro ante agosto e expressivos 68,65% de avanço na comparação anual, provando que outros compradores tentaram preencher a lacuna, embora sem conseguir reverter o saldo final negativo.
Impacto na pecuária e pedido de corte de impostos
Além da barreira com a China, a pecuária local lida com a interrupção dos embarques para a União Europeia desde 3 de setembro e com frigoríficos operando escalas de abate mais longas, além do desnível de preços do boi gordo em relação a São Paulo.
Frente a esse panorama adverso, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) declarou que pedirá ao governo estadual a diminuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no trânsito interestadual de bovinos, visando dar escoamento à produção local. “Entendemos que esta medida dará mais fôlego e liquidez nas vendas de animais nas regiões produtoras prejudicadas”, afirma o presidente Luís Fernando Conte.
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