Festival reúne filmes feitos por crianças e jovens no Rio

Com entrada franca em três espaços culturais, evento exibe 68 produções audiovisuais dirigidas e avaliadas por realizadores de 8 a 17 anos

Redação Por Redação
Festival de Cinema valoriza produções de crianças e adolescentes

Resumo

Com entrada franca em três espaços culturais, evento exibe 68 produções audiovisuais dirigidas e avaliadas por realizadores de 8 a 17 anos

O protagonismo infantojuvenil assume as telas de cinema no Rio de Janeiro com a 11ª edição do Festival Internacional Pequeno Cineasta (FIPC). A mostra, totalmente gratuita, reúne 68 obras audiovisuais dirigidas por realizadores de 8 a 17 anos, ocupando o Teatro Municipal Carlos Gomes, o Instituto Cervantes e o Jardim Botânico entre os dias 18 e 24 de outubro.

Jovens talentos comandam as produções

O festival destaca trajetórias precoces nas artes visuais, como a de Miguel Figueiredo Viglio, de 14 anos. O jovem começou a criar histórias de super-heróis ainda na infância e ingressou em um curso de animação quadro a quadro aos 7 anos. “Aí comecei a fazer os filmes em stop motion com brinquedos que eu tinha e fui me aprimorando”, contou. Focado na carreira cinematográfica, ele reflete sobre o futuro: “É difícil, mas sei que vou trabalhar com uma coisa que eu gosto e com pessoas que também gostam da mesma coisa”.

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Com o apoio da mãe, Chica Amoreira, Viglio concorre com a obra Circo dos Horrores, trabalho que já acumulou troféus em eventos como o festival FECEA (RS), Festival do Rio e É Tudo Criança (MG), além de indicações em circuitos da Itália, Portugal e Alemanha.

Outro participante é Daniel Nini, de 16 anos, que iniciou sua relação com o audiovisual por meio da atuação teatral antes de partir para a direção. “Com 10 anos eu me toquei que poderia estar nos filmes e realizar filmes. Aí comecei a ver muita coisa para pegar bagagem cultural e tentar botar em prática os meus próprios roteiros”, disse. Inicialmente gravando com o próprio celular, ele celebrou a evolução técnica: “Nessa época eu não tinha câmera, quando eu peguei feito por telefone, pensei que nada ia ser aproveitado, porque o som também não estava com uma qualidade muito boa , mas com a mágica da edição, ainda mais vendo na tela grande, ficou ótimo. Fiquei muito feliz com o resultado”.

Júri da mesma idade e foco no protagonismo

Além de produzirem as histórias, os participantes também integram o comitê julgador oficial, composto por crianças e adolescentes entre 8 e 17 anos. A jurada Carina Ki ressaltou o nível dos projetos apresentados: “Quando eu soube que eram de 13 a 17 pensei que era uma coisa meio experimental porque são crianças fazendo, mas fiquei muito impactada com a criatividade e todas as técnicas que elas usaram. As crianças se esforçaram muito para fazer. Fiquei muito impressionada com o talento delas”. Com o desejo de estudar cinema, ela completou: “Eu tenho o projeto de estudar cinema no futuro, então, foi uma oportunidade muito importante, para mim, ter contato com produções de outros adolescentes”.

A iniciativa nasceu em 2009 com a Oficina Pequeno Cineasta, idealizada pela cineasta e educadora Daniela Gracindo, gerando o festival no ano seguinte. “Eles ficam se sentindo mais participativos com protagonismo, porque a opinião deles importa. Já muda completamente a postura daquela criança que senta na cadeira sabendo que vai eleger o filme que vai ser premiado. A postura dela na cadeira de cinema é outra”, avaliou Daniela.

A diretora reforça a dimensão pedagógica do projeto: “Cada edição que eu faço é uma potência tão grande de troca de cultura, de conexão, de conseguir se aproximar da criança, porque a gente tem esse espaço qualificado onde elas podem e devem se expressar por meio da sétima arte”. Para ela, o impacto vai além do consumo passivo de telas: “Por ver todo esse resultado e conseguir abrigar crianças que nunca entraram em uma sala de cinema e ficam estonteadas só com a sala, imagina quando elas veem que uma outra garota ou garoto, como elas, fizeram aquele filme que está na tela. O impacto é muito grande para todos”.

Programação diversificada e debates sociais

As 68 obras em cartaz foram escolhidas entre 467 trabalhos inscritos vindos de dez estados brasileiros e 41 países. A grade é dividida entre mostras competitivas — Criança (8 a 12 anos) e Jovem (13 a 17 anos), em recortes nacionais e internacionais — e três mostras temáticas: Filmes Hispânicos, Oficina Pequeno Cineasta e Sustente Sua História, focada no meio ambiente.

Os temas das animações, ficções e documentários refletem inquietações geracionais como relações familiares, luto, guerras, preconceito, avanços da inteligência artificial, violência digital e mudanças climáticas, retratados em títulos como A Night Without You, Yanomamis: Guardiões da Floresta e Por Culpa de la IA.

Atividades formativas e conexão com as salas de aula

A cerimônia de abertura exibe curtas desenvolvidos por jovens da Guiana Francesa, seguida no dia 19 pela atividade Mesa Redondinha, promovendo diálogos sobre narrativa entre realizadores locais e estrangeiros. O evento oferece ainda a capacitação Cinema na Sala de Aula, conduzida pela especialista argentina Irene Blei.

Por meio do programa Pequeno Cineasta na Escola, instituições de ensino de todo o Brasil podem exibir os títulos e participar da eleição do Júri Popular. “É primordial para a infância e a juventude nesse sentido, não de ser um youtuber, um tiktoker, pode ser também, mas a ideia do projeto Pequeno Cineasta é que eles se aprofundem na linguagem e se tornem críticos e saibam o que estão recebendo, fazendo e sejam alfabetizados nessa linguagem”, relatou Daniela.

A premiação de encerramento acontece no Instituto Cervantes, com uma homenagem póstuma ao ator Gracindo Jr., pai da fundadora do festival.

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