Os gastos dos motoristas brasileiros com abastecimento acumulam avanço de 4,49% entre janeiro e setembro de 2026, patamar que praticamente duplica a variação de 2,30% registrada durante todo o ano de 2025. O cenário inflacionário apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ocorre a despeito de um pacote bilionário de incentivos fiscais e econômicos implementado pela gestão federal.
Impacto das tensões globais e a contenção de danos
Para atenuar os efeitos provocados pela disparada internacional da cotação do barril, o poder público já mobilizou cerca de R$ 40 bilhões em medidas de alívio financeiro. A escalada externa reflete diretamente o conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, iniciado em 28 de fevereiro, somado aos reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Antes do confronto no território do Oriente Médio, o petróleo do tipo brent girava perto de US$ 70, alcançando picos de US$ 120 e estabilizando recentemente na faixa de US$ 105,90. O bloqueio parcial ou riscos no Estreito de Ormuz — rota vital para o escoamento da produção de nações como Arábia Saudita, Iraque e Irã — comprometeram a circulação do produto.
Em território nacional, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) constatou que o óleo diesel S10 avançou 20,85% desde a eclosão das hostilidades internacionais. Em contrapartida, a gasolina comum, que chegou a atingir média de R$ 6,78 após o início das tensões, fechou cotação recente em R$ 6,54. O etanol hidratado apresentou trajetória divergente, acumulando queda média de 10,58% nos postos.
Cronograma de incentivos e desonerações federais
A estratégia governamental para amenizar o impacto no bolso do consumidor envolveu repetidas intervenções tributárias e concessões diretas ao longo dos meses:
- Março: Liberação de subvenção de R$ 0,32 por litro de diesel destinada a refinarias e importadores, além da isenção de PIS/Cofins sobre o insumo comercializado e importado.
- Abril: Publicação dos Decretos nº 12.923/2026 e 12.924/2026, zerando o PIS/Cofins do biodiesel com redução estimada em R$ 0,15 por litro puro.
- Julho: Instituição de subvenção econômica no valor de R$ 0,44 por litro da gasolina via Medida Provisória.
- Setembro: Assinatura da MP 1.391/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedendo R$ 1,00 extra por litro de diesel rodoviário. No mesmo mês, o etanol teve PIS/Pasep e Cofins zerados (alívio de R$ 0,19), enquanto a gasolina teve alíquota reduzida temporariamente em R$ 0,63 por litro. A prorrogação da subvenção do diesel somou R$ 2,12 de abatimento geral por litro.
- Outubro: A desoneração de PIS/Cofins na gasolina subiu para R$ 0,89 por litro, com manutenção do benefício tributário de R$ 0,19. Houve ainda acréscimo no apoio ao etanol hidratado (indo para R$ 0,43) e aporte de R$ 1,40 adicional ao diesel rodoviário importado, totalizando R$ 3,52 em subvenções por litro desse óleo.
Perspectivas do mercado para o próximo ciclo
O encarecimento das matérias-primas energéticas deve continuar a desafiar a economia em 2027, momento que envolverá a disputa eleitoral entre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Análises da Agência Internacional de Energia (IEA) apontam restrições persistentes na oferta global de derivados de petróleo.
De acordo com o documento setorial da IEA divulgado em outubro, Apesar da menor demanda, prevê-se que o equilíbrio do mercado de petróleo permaneça deficitário até o final do ano, com a restrição na oferta de destilados médios provavelmente persistindo até bem avançado o ano de 2027.
O relatório ressalta ainda que a crise nos parques industriais do leste europeu agrava o desabastecimento internacional: A produção e as exportações russas de óleo diesel caíram nos últimos meses, em decorrência dos danos crescentes causados às refinarias por drones ucranianos. Ainda que o acumulado em 2026 se mantenha ao redor de 4,5%, o patamar representará o segundo menor índice de inflação do setor no mandato corrente, superado pelos picos de 8,37% em 2023 e 10,09% em 2024.
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