Uma força-tarefa integrada de combate aos crimes ambientais resultou na aplicação de R$ 86,8 milhões em multas no estado de Mato Grosso. O balanço oficial da Operação Abafa Amazônia II foi divulgado neste sábado (17 de outubro), após duas semanas de fiscalizações intensivas em Aripuanã e Colniza, com foco principal na área do Distrito de Guariba.
Ações de fiscalização e área inspecionada
Durante os 13 dias de ofensiva, as autoridades vistoriaram 10.397,08 hectares. Os esforços foram direcionados a zonas com histórico de desmatamento ilegal, uso irregular do fogo, exploração florestal e suspeitas de invasões clandestinas.
O planejamento da operação baseou-se em ferramentas de geomonitoramento e alertas sobre infrações ecológicas. Relatórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais apontavam uma densidade expressiva de focos de calor na região noroeste mato-grossense, mesmo diante da vigência do veto às queimadas.
Apreensão de armas e apoio aéreo
Nas diligências realizadas em Colniza, os agentes flagraram indícios de ocupação irregular em uma zona previamente embargada. Na ocasião, localizaram um acampamento recente contendo utensílios domésticos, além de uma garrucha calibre .22 de dois canos e dez munições escondidas debaixo de um colchão.
Já no município de Aripuanã, as equipes recolheram duas espingardas, sendo uma calibre .32 e outra calibre .20. Ao todo, três armas de fogo e diversos cartuchos foram apreendidos ao longo da mobilização. O suporte logístico de aeronaves foi fundamental para o transporte de agentes, o reconhecimento de terrenos remotos e a detecção de focos de incêndio e desmate.
Esforço conjunto e legislação
A execução da força-tarefa envolveu o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso — responsável pela coordenação —, a Polícia Militar de Proteção Ambiental, a Delegacia Especializada do Meio Ambiente e a Perícia Oficial e Identificação Técnica. Também integraram a ação o Centro Integrado de Operações Aéreas, a Força Nacional de Segurança Pública e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente.
Segundo o tenente-coronel Heitor Alves de Souza, comandante do Batalhão de Emergências Ambientais, a integração dos órgãos públicos permitiu ampliar a presença das equipes e identificar situações que exigiam intervenção imediata.
O calendário de restrição ao uso do fogo em práticas agrícolas no estado teve início em 1º de julho e permanece vigente até 30 de novembro de 2026, enquanto nos perímetros urbanos a proibição é integral ao longo de todo o ano. A quantia de R$ 86,8 milhões diz respeito às penalidades pecuniárias impostas por descumprimento da legislação ambiental, cujo recolhimento efetivo dependerá do andamento dos trâmites administrativos e jurídicos.
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