Justiça bloqueia R$ 10 milhões de empresa após queda de helicóptero no Rio

Aeronave caiu na Floresta da Tijuca em agosto, resultando na morte do piloto e de três turistas colombianas da mesma família.

Oliveira Filho Por Oliveira Filho
Justiça bloqueia bens de empresa por queda de helicóptero, no Rio

Resumo

Aeronave caiu na Floresta da Tijuca em agosto, resultando na morte do piloto e de três turistas colombianas da mesma família.

A Justiça Federal no Rio de Janeiro ordenou o congelamento de bens, contas bancárias e imóveis da empresa Voos Rio Panorâmico e Serviços Aeronáuticos até o patamar de R$ 10 milhões. A determinação atende parcialmente a uma solicitação apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) após o acidente fatal envolvendo uma aeronave da companhia.

O impacto da queda e o incêndio na Mata Atlântica O desastre aéreo aconteceu no dia 8 de agosto, durante um voo panorâmico comercial na região da Vista Chinesa, situada na Floresta da Tijuca. O impacto da aeronave contra o solo e a vegetação gerou uma forte explosão, resultando em um incêndio florestal de grandes proporções em uma área de preservação pertencente à zona de amortecimento do Parque Nacional da Tijuca.

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Peritos apontam que as chamas alcançaram árvores com mais de cinco metros de altura, devastando a fauna e a flora locais. Na tragédia, perderam a vida o piloto Alessandro Rocha e três turistas colombianas pertencentes à mesma família: a avó Rocio Cubillos, a filha Wendy Manrique e a neta Sofia Murillo, de 17 anos.

Exigência de recuperação ambiental e plano de ação Além de bloquear os ativos financeiros, a 26ª Vara da Justiça Federal determinou que a empresa e seu sócio-administrador apresentem, no prazo improrrogável de 30 dias, um Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD). O objetivo é viabilizar a restauração ecológica integral da área atingida pelo fogo.

O pedido de indenização por danos morais coletivos ambientais, fixado pelo MPF no valor de R$ 10 milhões, será avaliado ao longo do andamento processual. Na ação civil pública, o órgão argumenta que a responsabilidade civil por danos ao meio ambiente é de natureza objetiva, o que dispensa a comprovação de culpa e impede o uso de alegações de força maior para evitar a reparação. O processo, contudo, não abrange as indenizações individuais devidas aos herdeiros das vítimas fatais.

Falhas operacionais graves constatadas pela Anac As investigações que embasaram a medida judicial contaram com fiscalizações presenciais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), além de inquéritos policiais. O relatório do órgão regulador apontou deficiências severas na segurança operacional da companhia, como problemas no controle de fadiga da tripulação, ausência de identificações nas aeronaves, registros de manutenção inconsistentes e a inoperância do sistema de gerenciamento de segurança.

Devido às irregularidades constatadas, a Anac aplicou medidas cautelares suspendendo o Certificado de Operador Aéreo da empresa e interditando outras seis aeronaves pertencentes à sua frota. As provas coletadas reforçam a tese de que a operação descuidada colocou em risco não apenas os ocupantes do voo, mas também a integridade de milhares de cidadãos que transitavam pela capital fluminense.

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