PGE-MT vence no STJ disputa de R$ 576 milhões ao ano em ICMS

Primeira Turma barrou reabertura de provas pedida por empresa de combustíveis que descumpriu cronograma de investimentos no estado.

Oliveira Filho Por Oliveira Filho
Atuação da PGE reverte decisão no STJ em disputa de R$ 576 milhões anuais

Resumo

Primeira Turma barrou reabertura de provas pedida por empresa de combustíveis que descumpriu cronograma de investimentos no estado.

Uma intervenção estratégica da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT) garantiu uma importante vitória jurídica no Superior Tribunal de Justiça (STJ), impedindo a reabertura da etapa probatória em um processo tributário bilionário. A controvérsia envolve incentivos de ICMS concedidos a uma companhia do setor de combustíveis e representa um impacto calculado pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT) em aproximadamente R$ 576 milhões por ano aos cofres públicos.

Reviravolta na Primeira Turma do STJ

O julgamento ocorreu no âmbito da Primeira Turma do tribunal. Em um primeiro momento, o relator do recurso, ministro Benedito Gonçalves, havia votado a favor da empresa, acolhendo o argumento de cerceamento de defesa e determinando o retorno dos autos para a fase de instrução. No plenário virtual realizado em agosto, a ministra Regina Helena Costa chegou a votar com o relator.

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A situação começou a mudar após os ministros Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues pedirem para levar a matéria ao julgamento presencial. Durante a sessão física, o procurador do Estado Daniel Gomes Soares de Sousa levantou uma questão de ordem que conduziu a deliberação dos magistrados.

Ao fim dos debates, prevaleceu a linha divergente aberta pelo ministro Gurgel de Faria em favor do recurso de Mato Grosso. O entendimento reuniu o apoio de outros três ministros do colegiado — entre eles Regina Helena Costa, que reformulou sua manifestação inicial —, resultando na anulação integral da decisão anterior.

Descumprimento de prazos e histórico do benefício fiscal

O litígio tem origem em um termo de compromisso firmado em 2011. Pelo ajuste, o grupo empresarial deveria construir uma instalação industrial em território mato-grossense com investimento previsto de R$ 30 milhões, abertura de 158 vagas de trabalho e início de operações em quatro anos. Em contrapartida, teria desconto de ICMS nas vendas de gasolina e óleo diesel.

As obras, contudo, tiveram início somente em abril de 2017 e foram finalizadas apenas em 2021, violando os prazos estipulados. O descumprimento contratual já havia levado o Poder Judiciário de Mato Grosso a dar ganho de causa ao Estado tanto na primeira quanto na segunda instância. Além do atraso, uma lei estadual editada em 2019 alinhou a política tributária local às exigências nacionais, extinguindo formalmente o incentivo no final daquele mesmo ano.

Apesar de a manifestação favorável na Primeira Turma representar um avanço de peso para a administração estadual, a disputa jurídica ainda segue em tramitação. A PGE-MT informou que continuará atuando na causa para assegurar a preservação das receitas públicas essenciais ao financiamento dos serviços estaduais.

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