Doença de Newcastle acende alerta na avicultura de Mato Grosso

Setor avícola intensifica barreiras sanitárias e monitoramento rigoroso para blindar as exportações estaduais de carne de frango.

Oliveira Filho Por Oliveira Filho
Famato e Indea alertam para Newcastle e risco às exportações de frango de MT

Resumo

Setor avícola intensifica barreiras sanitárias e monitoramento rigoroso para blindar as exportações estaduais de carne de frango.

A identificação recente de um foco da doença de Newcastle em solo catarinense ligou o sinal de alerta no setor avícola de Mato Grosso. Entidades locais intensificaram os protocolos de prevenção nas granjas e exigem notificação imediata de eventuais suspeitas para blindar as exportações do estado contra possíveis barreiras internacionais. Atualmente, o território mato-grossense permanece sem nenhuma ocorrência registrada em 2026.

Riscos econômicos e impacto das exportações

A principal meta das autoridades é impedir que qualquer imprevisto sanitário afete gravemente a produção e o fluxo comercial da carne de frango. O cenário internacional já demonstra vulnerabilidade, refletido na suspensão de compras pelo México e nas restrições comerciais aplicadas pela China especificamente aos itens originários de Santa Catarina.

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Para mensurar o impacto, o volume de vendas externas desempenha um papel central. Entre janeiro e setembro de 2026, Mato Grosso exportou um total de 90,12 mil toneladas de carne de frango, marcando o melhor desempenho para o período desde 2017, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Apelo pela biosseguridade nas granjas

Mesmo diante da ausência de casos na região, a prevenção é tratada como prioridade máxima para resguardar os plantéis e evitar reflexos negativos na economia. O assessor técnico de Pecuária da Famato, Marcos Carvalho, ressalta a importância de manter a vigilância nas propriedades. “É fundamental que os produtores mantenham as medidas de biosseguridade, observem a saúde das aves e comuniquem imediatamente ao Indea qualquer sinal suspeito”.

Qualquer alteração comportamental ou física nos lotes não deve ser ignorada pelos criadores, com atenção especial voltada para índices de mortalidade acima da média comum ou o surgimento de sinais de problemas respiratórios e neurológicos.

Ações de controle e atuação do Indea-MT

Classificada como uma infecção viral altamente contagiosa, a doença de Newcastle provoca danos severos ao sistema respiratório e nervoso das aves, além de queda na produtividade de ovos e risco de alta mortalidade. Embora o patógeno não ofereça perigo expressivo aos seres humanos, a vigilância é indispensável devido ao seu potencial destrutivo para a avicultura comercial.

A médica-veterinária Caroline Lemes Boursheid, responsável pelo Programa Estadual de Sanidade Avícola do Indea-MT, orienta que qualquer alteração fora do padrão seja comunicada imediatamente ao serviço veterinário oficial. “Em caso de mortalidade fora do padrão ou de sintomas respiratórios e neurológicos nas aves, o produtor deve notificar imediatamente o serviço veterinário oficial”, afirma.

Como parte das estratégias de controle preventivo, o órgão estadual realizou vistorias e coletas de amostras em 84 granjas comerciais ao longo de 2026, com testes voltados tanto para a Newcastle quanto para a Influenza Aviária — todos com diagnósticos negativos. A estrutura de atendimento abrange 136 unidades veterinárias espalhadas pelos 142 municípios do estado, contando com o suporte técnico de 240 médicos-veterinários.

Cenário dos mercados compradores

O volume expressivo de vendas ao exterior evidencia a relevância de manter o status sanitário intacto. Nos primeiros nove meses do ano, os principais compradores da carne de frango mato-grossense foram Arábia Saudita, Hong Kong, China e Emirados Árabes Unidos.

Embora o México tenha respondido por uma fatia reduzida de 1,59% das exportações estaduais no período — equivalente a 1.437 toneladas —, o embargo mexicano possui impacto direto limitado. Por outro lado, as medidas adotadas pela China atingiram exclusivamente os lotes vindos de Santa Catarina, demonstrando que as restrições variam conforme a procedência regional e as exigências de cada país importador.

Enquanto a Famato monitora de perto as oscilações do mercado internacional, a recomendação oficial para os criadores locais continua focada na prevenção rigorosa, no monitoramento constante dos animais e no reporte imediato de suspeitas ao Indea-MT para preservar a imunidade sanitária do estado.

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