Corteva avança em proteção de cultivos e foca em inovação rápida

Companhia estreia ações na bolsa de Nova York e projeta investimentos bilionários no desenvolvimento de novas soluções agrícolas.

Oliveira Filho Por Oliveira Filho
‘Precisamos entregar tecnologia cada vez mais rápido’, diz executiva da Corteva

Resumo

Companhia estreia ações na bolsa de Nova York e projeta investimentos bilionários no desenvolvimento de novas soluções agrícolas.

A Corteva iniciou uma nova fase operacional após concluir a cisão de seu segmento de sementes e genética avançada, que passou a se chamar Vylor e estreou na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) nesta quinta-feira (1º). Com a reestruturação, a companhia direciona seu foco estratégico integralmente para o setor de proteção de cultivos, destacando um pipeline avaliado em US$ 11 bilhões e a previsão de lançar 12 novos produtos na próxima década.

Estratégia e velocidade no campo

Durante o GAFFFF 2026, realizado em São Paulo, executivos da empresa detalharam os planos para atender às demandas da agricultura moderna. A Chief Commercial Officer (CCO) da Corteva, Brook Cunningham, ressaltou a urgência de encurtar o tempo entre o desenvolvimento e o uso prático nas lavouras.

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“Não podemos apenas entregar tecnologia. Ao mesmo tempo, precisamos fazer isso cada vez mais rápido”, afirmou Brook Cunningham, Chief Commercial Officer (CCO) da Corteva, em entrevista coletiva durante o GAFFFF 2026 (Global Agribusiness Festival), realizado em São Paulo.

A CCO também enfatizou que o sucesso das ferramentas depende de suporte adicional ao produtor rural.

“Acredito que a Corteva tem uma grande responsabilidade na entrega de inovação ao campo, mas também em oferecer um nível de serviço que ajude os produtores a transformar a tecnologia que levamos à fazenda em soluções para problemas específicos”, afirmou.

Além disso, a executiva apontou a necessidade de apoio financeiro e educacional: “Um produto precisa estar acompanhado de outras ferramentas para ser bem-sucedido na propriedade. É necessário oferecer instrumentos financeiros que contribuam para o resultado da fazenda ou capacitação sobre a melhor forma de utilizar aquela tecnologia”, disse.

Integração de químicos e biológicos

No Brasil e no Paraguai, a operação sob o comando de Tiago Gontijo reforça a combinação entre defensivos químicos e produtos biológicos. A complexidade do clima brasileiro, que viabiliza múltiplas safras anuais, também eleva a incidência de pragas e doenças.

“A pressão que a gente tem de doenças, de pragas, de plantas daninhas, ao mesmo tempo que ela nos dá o nosso clima, nos dá essa vocação para cultivar duas safras e em alguns lugares até três. Ele traz uma complexidade extra, para a gente conseguir manejar isso no dia a dia”, afirmou na coletiva.

Diante desse cenário, Gontijo destacou que o agricultor precisa adotar uma visão integrada:

“Ele não pode escolher nem pode abrir mão de escolher entre biológico ou químico. Ele precisa combinar para extrair o que há de melhor em termos de performance, em termos de segurança das tecnologias”, disse.

Parcerias e expansão na América Latina

Para ampliar o portfólio, a empresa investe em parcerias e aquisições externas. Felipe Daltro, presidente da Corteva para a América Latina, destacou a importância de olhar para inovações geradas fora da corporação, como a biotecnologia e a edição gênica.

“Então, muitas vezes, eu olho muito para o pipeline que a Corteva tem como um dos seus produtos, mas também pelo que está acontecendo no entorno disso”, afirmou.

Daltro acrescentou que a diversidade produtiva do Brasil serve como laboratório para testar e escalar modelos que podem ser aplicados em outros países da região, como México, Argentina e Colômbia.

“Isso permite muito a gente pegar o conhecimento que existe no Brasil, e dar essa vida a essa agricultura tropical, sustentável, que tem larga escala, média escala, pequena escala, uma variedade incrível, só para você ter uma ideia, mas como um laboratório, para a gente criar ideias, transformar isso num case e escalar esses cases”, afirmou.

O executivo concluiu ressaltando a importância da colaboração mútua no setor: “Isso exige diminuir um pouco do ego, mas exige ter um pouco mais de conexão”, disse.

Custos e desafios regulatórios

O desenvolvimento de novas moléculas exige aportes financeiros elevados e prazos longos. Cunningham lembrou que o processo completo demanda cerca de US$ 300 milhões e aproximadamente 13 anos de pesquisa e aprovação regulatória.

“Todos os dias, como uma empresa do setor químico, lidamos com processos que exigem cerca de US$ 300 milhões e aproximadamente 13 anos para levar uma nova molécula de proteção de cultivos ao mercado”, afirmou.

Paralelamente, o cenário macroeconômico com taxas de juros elevadas exige novas facilidades financeiras para os agricultores.

“Precisamos buscar de forma constante novas ferramentas financeiras, principalmente em um cenário de juros de 13,75% e acesso restrito ao crédito. Também precisamos fazer a nossa parte nesse sentido”, afirmou Cunningham.

Por fim, a CCO reforçou que a inovação constante é indispensável para combater a resistência de pragas e herbicidas: “Precisamos desse novo tipo de inovação para ajudar os produtores a enfrentar os desafios com os quais estão lidando”, concluiu.

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