O setor produtivo de algodão do Brasil busca se antecipar a novas demandas globais para blindar sua participação no mercado internacional, enfrentando compradores cada vez mais exigentes quanto à origem e sustentabilidade da fibra.
Evolução da qualidade e genética nas lavouras
A trajetória da pluma brasileira no exterior mudou radicalmente desde a década de 1980, período em que o produto sofria com forte desconfiança internacional. Para reverter esse cenário, o país investiu fortemente em melhoramento genético e processos agrícolas modernos.
“Tudo nasce aqui na genética, na semente como fonte dessas características de pluma que o mercado tanto exige”, observa Jeferson Andrade, diretor comercial da Polato Sementes.
Esse avanço exigiu esforço e resiliência dos produtores no passado. Paulo Sérgio Aguiar, vice-presidente da Abrapa, lembra o início do processo exportador de Mato Grosso.
“Quando nós começamos lá no passado, a gente teve que ter um pouquinho de coragem”, relata ao Canal Rural Mato Grosso.
Certificação e sustentabilidade como estratégias
Atualmente, cerca de 97% da fibra nacional possui algum tipo de selo de qualidade, índice que atinge 100% quando se fala especificamente do produto enviado para outros países. Programas como o Algodão Brasileiro Responsável (ABR) e o Better Cotton cobram mais de 150 itens de verificação socioambiental.
“O nosso desafio é comunicar e mostrar que a agricultura brasileira é a agricultura mais sustentável do mundo hoje em dia”, afirma Fernando Prudente, diretor de Negócios do Algodão da Bayer.
Apesar dos avanços, lideranças do setor alertam que muitas cobranças futuras podem funcionar como protecionismo disfarçado. “Algumas disfarçadas de sustentabilidade, mas a gente sabe que são questões comerciais”, pondera Fernando Prudente.
O papel da tecnologia a longo prazo
Para manter a competitividade, o desenvolvimento de novas soluções voltadas ao campo precisa ocorrer com anos de antecedência, já que uma inovação pode levar até uma década para ser implementada nas lavouras.
“Essa perspectiva é muito importante. As tecnologias que a gente começa a desenvolver agora, elas de fato vão chegar no mercado depois de oito, dez anos”, explica Leandro Bessa, diretor de portfólio de proteção de cultivos da Syngenta.
unindo ciência, rigor nas certificações e transparência nos dados, a cadeia produtiva nacional tenta garantir que o algodão brasileiro continue forte e competitivo nas próximas décadas.
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