O setor agropecuário mato-grossense encerra o ciclo eleitoral de 2026 com forte apreensão em relação ao endividamento acumulado nas propriedades, estimado atualmente em R$ 20 bilhões. Enquanto o passivo atinge cifras bilionárias, o volume de acordos efetivados alcança a marca de apenas R$ 20 milhões, evidenciando um abismo entre a necessidade de socorro financeiro e a realidade das renegociações no campo.
O abismo nas negociações de crédito
Essa discrepância alarmante expõe a ineficiência dos mecanismos atuais para atender às demandas reais dos agricultores. De acordo com levantamento da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), o montante renegociado representa uma parcela insignificante do total necessário para aliviar o caixa das fazendas em meio aos juros elevados e à alta dos custos operacionais.
“Ou seja, um milésimo daquilo que seria necessário para se fazer essa negociação”, afirma o presidente da Aprosoja Brasil e Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, ao dimensionar a distância entre os R$ 20 bilhões estimados em dívidas e os R$ 20 milhões renegociados.
Desafios fiscais e econômicos
Diante de um ambiente macroeconômico adverso, marcado por forte pressão nas contas públicas e taxas de juros elevadas, a expectativa das entidades representativas é que a próxima gestão federal priorize debates profundos sobre o crédito rural. O objetivo é estabelecer diretrizes que garantam maior capilaridade aos programas de reestruturação de passivos, oferecendo estabilidade jurídica e financeira para que o produtor consiga planejar os próximos ciclos de cultivo.
“É um governo que vai entrar com bastante dificuldade, nós temos altos gastos públicos, um alto endividamento da máquina e estamos convivendo com juros altos”, diz ao Canal Rural Mato Grosso.
Preocupação com o clima e a inflação
Além da pressão financeira, o planejamento para as safras seguintes esbarra nas incertezas climáticas que rondam o agronegócio. A possibilidade de eventos extremos e o comportamento desfavorável do clima mantêm o setor em alerta máximo quanto à produtividade das lavouras e aos impactos diretos na formação de preços ao consumidor final.
Beber cita ainda a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño como um fator adicional de pressão. “Se confirmar esse El Niño vai ser ainda mais desafiador porque teremos diminuição na oferta de alimentos e mais inflação caso ocorra de fato”.
Para o dirigente, o momento exige atenção às escolhas que serão feitas para o país nos próximos anos. Ele defende que o eleitor avalie propostas que ofereçam maior segurança e tenham como perspectiva a construção de condições econômicas para as próximas gerações.
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