O setor agrícola brasileiro possui capacidade de elevar os índices de colheita do milho e impulsionar o plantio de sorgo por meio de inovações voltadas à adaptação climática, melhoria do solo e uso eficiente da água. No entanto, as instabilidades no regime de chuvas e as altas temperaturas continuam a impor barreiras ao desenvolvimento pleno dessas culturas em campo.
Tecnologia e genética contra a seca
Conforme aponta o chefe-geral da Embrapa Milho e Sorgo, Vinícius Pereira Guimarães, o país conta com recursos científicos avançados para alçar novos voos na produção. “Temos condições, temos tecnologia disponível para isso”, afirma o pesquisador ao programa Direto ao Ponto.
O especialista explica que o Brasil tem condições de alcançar patamares comparáveis aos dos Estados Unidos, sobretudo nas áreas beneficiadas por irrigação. Em contrapartida, as lavouras de sequeiro sofrem maior vulnerabilidade durante os períodos de estiagem prolongada. Para mitigar esse cenário, os estudos atuais focam na edição gênica e em ferramentas de melhoramento para criar plantas mais tolerantes ao calor e ao estresse hídrico.
O papel estratégico do solo
Além da genética, a aplicação de bioinsumos e as práticas adequadas de manejo da terra são determinantes para otimizar a retenção de umidade e o crescimento radicular. Segundo o representante da instituição, a conservação da matéria orgânica funciona como alicerce fundamental para a agricultura.
“O solo é a maior infraestrutura”, ressalta Guimarães ao programa do Canal Rural Mato Grosso. Para ele, a qualidade do solo deve ser tratada como base da produção agrícola, com práticas que favoreçam a permanência da água e o aproveitamento do potencial genético das culturas. “Quando a gente começa a pensar em produção agrícola, o produtor precisa ter o solo como a sua base, como seu alicerce”.
O avanço do sorgo e os riscos do El Niño
Diante das adversidades que afetam o milho, o sorgo ganha espaço como alternativa viável devido à sua alta resistência à escassez hídrica e à versatilidade de aplicação na alimentação animal, produção de silagem, pastejo, consumo humano e fabricação de etanol. Na safra passada, a área cultivada avançou 32,9%, enquanto a produção registrou alta de 20%.
“Hoje o sorgo tem mercado. O sorgo é demandante, ele tem mais tolerante a condições hídricas”, pontua o pesquisador. Para otimizar o cultivo, o uso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) permanece como ferramenta indispensável no planejamento das janelas de semeadura.
Em paralelo, os impactos previstos do El Niño para o ciclo 2026/27 exigem cautela. Um documento elaborado em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reúne 164 diretrizes para mitigar riscos, apontando cenários de calor intenso no Centro-Oeste, Sudeste e Matopiba, e risco de tempestades no Sul. O monitoramento meteorológico constante e a adoção rigorosa das recomendações técnicas serão decisivos para a segurança das próximas safras.
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