O marco legal para a realização de pesquisas clínicas no Brasil está impulsionando a participação do país em estudos globais, conforme avaliação de especialistas e representantes da indústria farmacêutica.
Novas posições no ranking internacional
Dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa apontam que a colocação brasileira subiu da 18ª para a 12ª posição entre 2025 e o primeiro semestre de 2026. A expectativa é alcançar o top 10 com aportes superiores a R$ 2 bilhões anuais.
A Lei de Pesquisa Clínica tramitou por quase uma década no Congresso até ser sancionada em maio de 2024 e regulamentada em outubro de 2025. Antes disso, o setor dependia apenas de normas secundárias do Conselho Nacional de Saúde e da Anvisa.
Agilidade regulatória e novas regras
A legislação criou o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Agora, o parecer ético deve sair em até 30 dias úteis e a avaliação da Anvisa em até 90 dias úteis, permitindo processos em paralelo.
A presidente da Roche Brasil, Lorice Scalise, destacou a mudança operacional:
“Vamos supor que tem dez centros participando de um estudo. Antes a gente precisava da aprovação do comitê de ética local de cada centro de pesquisa. Agora um comitê acreditado é responsável por fazer a comunicação com os demais e dar o parecer final”
Scalise também pontuou:
“A Anvisa é uma das agências mais renomadas, é referência no mundo inteiro. A gente ainda tem alguns gargalos de fila (de processos para análise), mas todas as questões estão sendo trabalhadas. Hoje, a gente tem um excelente processo”
Capacitação e expansão regional
A diretora de investigação clínica da farmacêutica, Danielle Galbiatti, enfatizou o impacto no ecossistema científico nacional:
“É um movimento de união com centros de pesquisa, laboratórios. Com essa projeção e a vinda de novos estudos, existe a necessidade de capacitar os profissionais e as unidades”
Com investimentos voltados também para as regiões Norte e Nordeste, busca-se descentralizar os estudos e ampliar a diversidade genética dos voluntários. Galbiatti acrescentou:
“Um estudo é um ambiente controlado. O centro de pesquisa tem que ter uma equipe muito bem estruturada, porque esse paciente precisa de uma assistência diferente”
Perspectivas para a América Latina
Estrangeiros presentes no debate apontam que a padronização regional é o próximo passo. Mario Urcuyo, da Costa Rica, destacou que a profissionalização dos centros é fundamental:
“Temos um desafio muito importante, porque nem sempre contamos com coordenadores e monitores de pesquisa. Não existem carreiras profissionais específicas para essas funções e precisamos desenvolver essa estrutura ao longo do tempo”
Ele completou sobre a qualidade assistencial:
“Proporciona ferramentas para melhorar a qualidade da assistência, porque os profissionais passam a ter acesso aos mais elevados padrões de qualidade, exigidos para a realização das pesquisas”
Por fim, a pesquisadora Fedra Irazoque explicou sobre o funcionamento prático para os voluntários:
“Estar no grupo placebo não significa ficar sem receber nenhum medicamento, mas sim receber o melhor tratamento já existente. E após algumas semanas, esse paciente também passa a receber a molécula ativa e pode se beneficiar da mesma forma”
A especialista concluiu defendendo maior integração regulatória no continente para impulsionar ainda mais a representatividade científica da região.
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