O mercado de suínos vivos em Mato Grosso registrou uma recuperação expressiva nesta reta final do ano, interrompendo um ciclo de oito meses consecutivos de desvalorização que afetou severamente a margem de lucro das granjas. Levantamentos do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que o quilo do animal saltou de R$ 5,01, em 23 de setembro, para R$ 5,81 no dia 14 de outubro, acumulando um avanço de 16% no intervalo.
A dinâmica da oferta e o impacto nos custos
O movimento de alta começou a se desenhar no final de setembro, quando a cotação média atingiu R$ 5,35, avançando para R$ 5,64 na primeira semana de outubro. No início de setembro, o produto era comercializado por cerca de R$ 4,97. Apesar do alívio recente, a atividade ainda carrega o peso de um longo período de retração que teve início em fevereiro de 2026, impulsionado por um excesso de animais prontos para abate no mercado nacional.
O excedente atual foi resultado direto de um ciclo anterior de rentabilidade positiva que durou aproximadamente dois reis e meio, período em que os criadores expandiram os planteis. “Esse ano 2026 tem sido um ano bem complicado, bem complexo. Nós fomos surpreendidos aí no começo do ano já com uma queda no preço do suíno. Sequencialmente, foi reduzindo o preço semana a semana”, afirma Frederico Tannure Filho, presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).
Fatores internacionais e demanda de fim de ano
Enquanto a procura por carne suína ganha força com a proximidade das festividades e a necessidade de formação de estoques pelas indústrias frigoríficas, os produtores continuam pressionados pelos gastos com a alimentação dos animais, principalmente o milho e o farelo de soja. A cotação desses insumos permanece atrelada às oscilações do mercado externo e das bolsas internacionais.
“Esse momento agora, então, outubro e novembro e parte de dezembro, a gente espera aí um cenário bem mais favorável para suinocultura”, diz o dirigente. Mesmo assim, os reflexos da safra norte-americana e de questões geopolíticas continuam influenciando a formação dos preços dos grãos utilizados na ração.
“A soja, ela é muito de bolsa. O preço dela é muito pautado no preço da bolsa mundial. Então, os movimentos mundiais acabam fazendo essa dinâmica que foge um pouco ao nosso controle”, explica.
Reestruturação do setor produtivo
A superoferta observada ao longo de 2026 também decorre de mudanças estruturais na suinocultura nos últimos anos. Entre 2023, houve uma retração considerável no número de matrizes devido a cenários desfavoráveis, o que ajustou a oferta e garantiu preços firmes até o final de 2025. Com a melhora da remuneração, os produtores voltaram a recompor os plantéis e elevaram a produtividade por matriz graças a avanços tecnológicos.
“Isso tudo veio trazendo um cenário de superoferta de carne que explodiu agora em 2026. Por isso que nós amargamos aí, vamos dizer assim, oito meses de preços negativos”, conclui Tannure. A expectativa da entidade é que o consumo aquecido nos últimos meses ajude a sustentar as cotações atuais, equilibrando as contas das granjas mato-grossenses.
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