Cuiabá esconde refúgio verde com três biomas na primavera

Reserva urbana de 14 hectares abriga fauna diversificada e funciona como zona de transição ambiental no Centro de Eventos do Pantanal.

Redação Por Redação
Primavera revela refúgio verde no coração de Cuiabá

Resumo

Reserva urbana de 14 hectares abriga fauna diversificada e funciona como zona de transição ambiental no Centro de Eventos do Pantanal.

Com a chegada das primeiras chuvas após o período de seca em Cuiabá, a vegetação do Centro de Eventos do Pantanal (CEP) passa por uma transformação marcante. Espécies como angico, jatobá, lixeira e cumbaru ganham folhagem nova, ao passo que ipês, marmeladas e gonçaleiros florescem, atraindo aves que constroem ninhos, insetos em busca de alimento e mamíferos em época de reprodução.

Santuário ecológico na capital mato-grossense

Dos 14 hectares que compõem o CEP, cinco são formados por vegetação nativa preservada, atuando diretamente no equilíbrio ambiental da capital, conhecida pelas altas temperaturas. O espaço funciona como uma reserva urbana de transição que une os três principais biomas de Mato Grosso: Amazônico, Cerrado e Pantanal.

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“Em uma cidade como Cuiabá, que enfrenta temperaturas muito altas durante boa parte do ano, preservar uma área como essa tem uma importância que vai além da paisagem. É uma forma de proteger a biodiversidade e contribuir para um ambiente urbano mais equilibrado, menos quente e mais úmido também. Isso mostra que estamos pensando em toda uma cadeia que vai desde a consciência ambiental, à realização de eventos de grande impacto econômico”, destaca o gerente do CEP, Charles Padilha.

Biodiversidade e proteção contra alagamentos

O local serve como um santuário para diversas espécies da fauna regional, abrigando capivaras, cachorros-do-mato, guaxinins, tamanduás-bandeira e veados-mateiros. A avifauna é representada por araras, tucanos, curicacas, urutaus e joões-de-barro, além de répteis, abelhas sem ferrão e mais de 20 tipos de borboletas.

A hidrologia local também se beneficia da estrutura ecológica. Segundo Aureliano Pinheiro, analista Técnico do Sebrae/MT, “O solo do Cerrado é como uma esponja. Na chuva, ele segura a água e evita que ela vá toda de uma vez para o asfalto e cause alagamento na Avenida. Na seca, ele libera essa água devagar e mantém o lençol freático”.

Arquitetura integrada e manejo anual

A harmonia com o meio ambiente guiou a concepção arquitetônica do espaço. A designer Linda Benitez explica que a estrutura foi planejada para borrar os limites entre os ambientes interno e externo por meio de paredes de vidro e do aproveitamento da vegetação preexistente. “A preocupação era integrar a natureza de fora para dentro e de dentro para fora, sem que as paredes virassem muros. A gente queria fazer essa inclusão”, afirma Linda.

Para manter o equilíbrio da reserva, o cronograma de manutenção muda conforme a estação. Entre maio e setembro, na estiagem, os esforços focam na prevenção de incêndios com aceiros, podas e a atuação de 12 brigadistas. Já na estação chuvosa, de outubro a abril, o foco muda para o plantio de mudas nativas, recuperação do solo e manejo de espécies invasoras.

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